Seleção e aplicação de válvulas

11/4/20253 min read

red and brown metal pipe
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1. Classificação funcional das válvulas

As válvulas são elementos fundamentais em qualquer sistema de tubulação, pois têm a função de controlar, interromper, direcionar ou regular o fluxo de fluidos. Sem elas, a operação industrial perderia flexibilidade, segurança e capacidade de controle.

O Piping Handbook – McGraw-Hill (7ª edição) descreve as válvulas como “dispositivos mecânicos capazes de modular energia de fluxo”, destacando que a seleção adequada influencia diretamente a confiabilidade do processo e a vida útil da instalação.

As válvulas podem ser classificadas de acordo com sua função:

  • Bloqueio (on/off): abrem ou fecham completamente a linha.

  • Regulagem (throttling): ajustam vazão e pressão.

  • Alívio e proteção: alívios, PSV e dispositivos de segurança.

  • Retenção (check): impedem o retorno do fluido.

  • Desvio e mistura: alteram rotas do processo.

Cada função exige um tipo de construção diferente. Por isso, conhecer os tipos de válvulas industriais é indispensável para o engenheiro projetista.

2. Tipos principais: gaveta, globo, esfera, borboleta, retenção

A seguir estão os tipos mais utilizados na indústria, conforme o Piping Handbook e especificações ASME e API.

Válvula Gaveta (Gate Valve)

Função: bloqueio completo

  • Movimento linear

  • Baixa perda de carga

  • Não recomendada para regulagem
    Aplicações: água industrial, óleo leve e vapor.

Válvula Globo (Globe Valve)

Função: regulagem fina e controle manual

  • Permite controle preciso

  • Maior perda de carga

  • Construção robusta
    Aplicações: vapor, óleo térmico, fluidos corrosivos.

Válvula Esfera (Ball Valve)

Função: bloqueio rápido

  • Abertura e fechamento em 90 graus

  • Baixa perda de carga

  • Ótima estanqueidade
    Aplicações: gases, produtos químicos, linhas auxiliares.

Válvula Borboleta (Butterfly Valve)

Função: bloqueio ou controle

  • Leve e econômica

  • Excelente para grandes diâmetros

  • Diversas opções de sede (elastômero, PTFE, metal)
    Aplicações: água, ar, efluentes, química leve.

Válvula de Retenção (Check Valve)

Função: impedir refluxo

  • Tipos swing, lift, dual plate e pistão

  • Imprescindível em bombas
    Aplicações: bombeamento, linhas verticais, proteção de equipamentos.

O Piping Handbook destaca que nenhum tipo é “melhor” por si só; a melhor válvula é a que atende ao objetivo operacional com segurança e economia.

3. Critérios de seleção: fluido, pressão, temperatura

Para selecionar corretamente uma válvula, o engenheiro precisa compreender profundamente as condições operacionais. As principais variáveis são:

Fluido

  • Fluido limpo ou sujo

  • Corrosivo ou neutro

  • Gás, líquido ou vapor

  • Viscosidade

Exemplo: fluidos corrosivos exigem sedes em PTFE ou válvulas de ligas especiais.

Pressão

As classes ASME (150, 300, 600, 900, 1500, 2500) determinam o limite de operação.
Quanto maior a pressão, maior o rigor de construção e espessura da válvula.

Temperatura

Materiais como aço carbono perdem resistência acima de 425 graus.
Aplicações quentes podem exigir aço liga (A217 WC6, WC9) ou aço inoxidável.

Forma de operação

  • On/Off rápido → esfera

  • Controle fino → globo

  • Grande diâmetro com baixo peso → borboleta

  • Bloqueio seguro → gaveta

A seleção envolve a combinação correta entre tipo, classe, material e mecanismo de acionamento.

4. Materiais e revestimentos

Os materiais das válvulas devem resistir às condições químicas e térmicas do processo. Conforme Piping Handbook, os materiais mais comuns são:

  • Aço carbono (ASTM A216 WCB)

  • Aços inoxidáveis (ASTM A351 CF8, CF8M, CF3, CF3M)

  • Aços de liga (ASTM A217 WC6, WC9)

  • Duplex e Superduplex

  • Ligas de níquel (Monel, Hastelloy)

  • Bronze e latão

Revestimentos comuns

  • Stellite em sedes e obturadores

  • Nitruração e cromagem

  • PTFE e RPTFE para serviços corrosivos

  • Elastômeros (EPDM, NBR, Viton)

A escolha do material define a durabilidade da válvula. Uma aplicação corrosiva com material inadequado tende a falhar rapidamente.

5. Válvulas automatizadas e controle

A automação é cada vez mais presente nas plantas industriais. Para isso, válvulas podem ser equipadas com:

Acionamentos

  • Elétricos

  • Pneumáticos

  • Hidráulicos

Controladores inteligentes

  • I/P converters

  • Positioners

  • Indicadores e sensores integrados

Funções automatizadas

  • Controle PID

  • Fail open / fail close

  • Operação remota via sala de controle

O Piping Handbook reforça que a automação deve ser considerada ainda na fase de projeto, pois impacta no peso, no suporte, no espaço e na lógica de instrumentação.

6. Conclusão: equilíbrio entre custo e confiabilidade

Selecionar válvulas não é apenas comparar preços. É uma análise de risco que envolve:

  • tipo do fluido

  • severidade do processo

  • frequência de operação

  • vida útil desejada

  • segurança da planta

  • disponibilidade de manutenção

Uma válvula barata pode custar caro se falhar em serviço. Por outro lado, uma válvula superdimensionada pode elevar o orçamento sem necessidade. O equilíbrio está em combinar tecnologia, confiabilidade e custo operacional, com base nas normas ASME e API e nas recomendações do Piping Handbook.

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